quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Para Neusinha

 

Hoje eu quero falar da minha sogra (não existe ex-sogra). Neusinha. Ou melhor, Tia Neusinha.

Faz poucos dias que ela partiu, deixando uma legião de fãs. Sim, fãs. Ela foi tão grande e tão especial, que foi amada por todos que a conheceram. Todos se tornavam instantaneamente fãs.

Com ela aprendi tanto... sobre amor, tolerância e empatia, como disse a Dani Arêas no velório. Acrescento resiliência, respeito, leveza e simplicidade. Ela era feliz com as coisas mais simples. Porque a felicidade morava dentro dela. E ela distribuía a quem estivesse ao seu redor.

Eu sempre me sentia privilegiada quando estávamos juntas. Me sentia especial mesmo. E sei que não era a única que se sentia assim. Ela fazia isso com a gente, de nos fazer sentir especiais e únicos. Sempre tive plena consciência de quanto cada encontro era um presente para a minha vida. Eu largava tudo por esses momentos, regados a música brasileira da melhor qualidade, papos sem fim, comidinhas que só ela fazia, quadradinhos, pavês...

Sempre leve, sempre amena, sempre sorrindo, sempre engraçada, mesmo quando ficou mais ranzinza rs, mesmo quando já lhe faltava o ar e ela falava através dos olhos e expressões. 

Outro dia na aula de ioga, a professora pediu para fecharmos os olhos e nos transportarmos para um lugar de aconchego, de amor e paz. Imediatamente visualizei a mesa de café da manhã na casa de Búzios. Me vi ali sentada, tomando café e comendo o melhor cream cracker com geleia da minha vida. Com ela. Rindo, conversando amenidades. Me sentindo amada e a fazendo se sentir amada. 

Tínhamos uma relação especial. Eu sei que tínhamos. E tive a confirmação disso na sua partida, através das falas e do enorme carinho que recebi de suas amigas, irmãs, primas. Falando o quanto ela me amava. Continuo então me sentindo especial. Privilegiada. Tive a oportunidade, pouco antes da sua partida, de reafirmar a ela o quanto ela era importante pra mim e como eu não tenho dúvidas de que me tornei uma pessoa melhor por causa dela. Ela sorriu. Agradeceu. Disse que me amava muito também. Sorrimos.

Obrigada, tia. Por tanto.

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